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Dra. Tamires Macedo - Neurologista
Doenças Neurodegenerativas

Perda de memória: quando é normal e quando é preocupante

27 de abril de 2026
3 min de leitura
Dra. Tamires Macedo

Esquecer onde deixou as chaves ou o nome de alguém pontualmente é experiência comum a todas as idades. A dúvida frequente é: quando esses lapsos deixam de ser normais e passam a merecer avaliação?

Entender essa diferença ajuda a evitar preocupação desnecessária e, ao mesmo tempo, a identificar precocemente quadros que se beneficiam de tratamento.

O esquecimento normal do envelhecimento

Com o passar dos anos, o cérebro processa informação mais lentamente. Isso significa que aprender coisas novas exige mais tempo e a lembrança de detalhes específicos pode demorar mais para vir à mente. Isso é normal e não interfere significativamente na vida cotidiana.

Características do esquecimento normal: a pessoa reconhece o esquecimento, consegue lembrar depois com pistas, mantém autonomia total nas atividades diárias, e o esquecimento não é progressivo.

Sinais de alerta que merecem avaliação

Diferente do esquecimento comum, alguns sintomas indicam a necessidade de investigação neurológica:

Esquecimento de conversas ou eventos inteiros: não só de detalhes, mas do fato de que aconteceram.

Repetição de perguntas: fazer a mesma pergunta várias vezes em curto período, sem lembrar que já foi respondida.

Dificuldade com tarefas antes automáticas: cozinhar uma receita habitual, operar aparelhos conhecidos, seguir passos de uma rotina domiciliar.

Desorientação em lugares conhecidos: perder-se em bairros familiares ou dentro da própria casa.

Dificuldade para encontrar palavras comuns: não achar o nome de objetos do dia a dia.

Mudanças de personalidade e humor: irritabilidade, apatia ou desconfiança novas e sem causa clara.

Julgamento comprometido: decisões financeiras estranhas, roupas inadequadas ao clima, comportamentos socialmente inapropriados.

Comprometimento cognitivo leve

Entre o esquecimento normal e a demência existe uma condição intermediária chamada Comprometimento Cognitivo Leve. Nela, a pessoa apresenta perdas objetivas em testes cognitivos, mas ainda mantém autonomia funcional. Nem todos os pacientes com essa condição desenvolverão demência, mas o acompanhamento é fundamental.

Outras causas de perda de memória

Nem toda queixa de memória é doença neurodegenerativa. Diversas condições reversíveis podem afetar a cognição:

Depressão: pode simular quadros demenciais, com queixa de memória e concentração.

Distúrbios do sono: apneia obstrutiva e insônia crônica afetam a memória.

Deficiências nutricionais: principalmente vitamina B12 e ácido fólico.

Alterações da tireoide: hipotireoidismo pode causar lentificação cognitiva.

Medicações: diversas classes têm efeito sobre cognição, especialmente em idosos.

Como é feita a avaliação

A avaliação neurológica inclui história detalhada, preferencialmente com relato de familiar próximo, exame neurológico e testes cognitivos padronizados. Exames complementares como ressonância magnética e sangue ajudam a identificar causas reversíveis e a caracterizar o quadro.

O diagnóstico precoce permite tratar as causas reversíveis, iniciar medicações específicas quando indicadas, planejar cuidados e envolver a família na estratégia de tratamento.

Quando procurar avaliação

Se você ou um familiar apresenta qualquer dos sinais descritos como preocupantes, especialmente se estão progredindo nos últimos meses, é hora de procurar avaliação neurológica. O receio da resposta não pode adiar o cuidado: quanto mais cedo o diagnóstico, mais estratégias disponíveis para preservar autonomia.

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Dra. Tamires Macedo

Dra. Tamires Macedo

CRM: 22274 | RQE: 16344

Neurologista em Fortaleza. CRM: 22274 | RQE: 16344. Formada pela UFC com residência no HGF.

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