Cefaleia em salvas: uma dor de cabeça diferente das outras
A cefaleia em salvas é considerada uma das dores mais intensas que um ser humano pode sentir. Frequentemente subdiagnosticada, apresenta tratamento específico e alta chance de controle quando bem conduzida.
Entenda o padrão que a diferencia das outras dores de cabeça e quando procurar avaliação.
O que caracteriza a cefaleia em salvas
A dor e intensa, unilateral, localizada ao redor do olho ou tempora, com duracao de 15 a 180 minutos. As crises se repetem várias vezes ao dia durante semanas ou meses (as salvas), seguidas por períodos livres de dor que podem durar de meses a anos.
A dor vem acompanhada de sinais autonômicos do mesmo lado do rosto: olho vermelho, lacrimejamento, nariz entupido ou escorrendo, pálpebra caída, pupila menor, agitação. O paciente nao consegue ficar parado durante a crise, ao contrário da enxaqueca, em que a pessoa procura silêncio e escuridão.
Perfil comum
Mais frequente em homens jovens, entre 20 e 40 anos. Tabagismo e consumo de álcool são fatores associados. Crises tendem a ocorrer em horários previsíveis, muitas vezes acordando o paciente na madrugada.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é clínico, mas ressonância magnética pode ser necessária para descartar causas estruturais. O tratamento tem duas frentes: alívio da crise aguda (oxigênio em alta concentração e triptanos injetáveis) e prevenção (medicações como verapamil, corticoides em cursos curtos, lítio em casos selecionados).
Novas opções como bloqueio do nervo occipital maior e estimulação do nervo esfenopalatino ampliaram o arsenal terapêutico nos últimos anos.
Quando procurar avaliação
Dor de cabeca intensa, unilateral, com sinais autonomicos e crises repetidas em curto periodo justifica avaliacao neurologica. O diagnóstico correto muda completamente a resposta ao tratamento.

Dra. Tamires Macedo
CRM: 22274 | RQE: 16344
Neurologista em Fortaleza. CRM: 22274 | RQE: 16344. Formada pela UFC com residência no HGF.
