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Dra. Tamires Macedo - Neurologista
Neuropatias

Neuropatia diabética: quando o diabetes afeta seu sistema nervoso

11 de maio de 2026
3 min de leitura
Dra. Tamires Macedo

A neuropatia é uma das complicações mais frequentes do diabetes. Aproximadamente metade dos pacientes com diabetes desenvolve algum grau de comprometimento nervoso ao longo dos anos. O diagnóstico precoce e o controle rigoroso da glicemia são fundamentais para evitar consequências graves.

Este artigo explica como o diabetes afeta os nervos, quais os sintomas de alerta e o que fazer.

Como o diabetes afeta os nervos

A glicose elevada no sangue por longos períodos danifica pequenos vasos que nutrem as fibras nervosas. Sem irrigação adequada, os nervos perdem função progressivamente. O processo é lento, ao longo de anos, e geralmente indolor no início, o que torna o diagnóstico precoce um desafio.

Quanto pior o controle da glicemia e quanto mais tempo de diabetes, maior o risco de neuropatia. Mas ela pode aparecer mesmo em pacientes com controle razoável, especialmente após muitos anos.

Principais formas de neuropatia diabética

Polineuropatia simétrica distal: a forma mais comum. Afeta pés e mãos de forma simétrica, começando pela ponta dos dedos e progredindo em direção ao tronco.

Neuropatia autonômica: afeta nervos que controlam funções involuntárias como frequência cardíaca, pressão arterial, digestão e função urinária.

Mononeuropatias: afetam um nervo isolado, causando por exemplo paralisia facial, dificuldade para movimentar o olho ou dor localizada.

Amiotrofia diabética: forma menos comum, causa dor intensa e fraqueza nas coxas.

Sintomas mais comuns

Formigamento persistente: sensação de agulhadas ou choques, especialmente nos pés.

Dormência: diminuição da sensibilidade nos pés, com risco de não perceber ferimentos.

Dor em queimação: que piora à noite e atrapalha o sono.

Sensação de andar em algodão: instabilidade ao caminhar, especialmente no escuro.

Alterações digestivas: queimação estomacal, sensação de estufamento após pouca comida, alteração intestinal.

Tonteira ao levantar: hipotensão postural por comprometimento autonômico.

Complicações a evitar

A principal complicação da neuropatia diabética é o chamado pé diabético. A perda de sensibilidade combinada com má circulação leva a feridas que não são percebidas nem cicatrizam bem, com risco de infecção grave e até amputação. Cuidado diário com os pés é essencial: inspeção visual, evitar andar descalço, cuidado com calçados e corte de unhas adequado.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico envolve avaliação clínica com testes específicos de sensibilidade, avaliação de reflexos e exames como eletroneuromiografia. O controle glicêmico é o pilar do tratamento: mantê-lo o mais próximo possível do ideal reduz a progressão da neuropatia.

Para os sintomas de dor neuropática, existem medicações específicas como antidepressivos tricíclicos, gabapentina, pregabalina e duloxetina. Analgésicos comuns não funcionam bem para esse tipo de dor. A escolha depende de outras condições do paciente e de tolerância aos efeitos colaterais.

Prevenção e acompanhamento

Todo paciente com diabetes deve ser avaliado periodicamente para neuropatia, mesmo que não tenha sintomas. Além do controle glicêmico, controle da pressão arterial, colesterol, atividade física regular e não fumar reduzem o risco. Quando os sintomas já existem, o tratamento neurológico especializado alivia significativamente o desconforto e melhora a qualidade de vida.

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Dra. Tamires Macedo

Dra. Tamires Macedo

CRM: 22274 | RQE: 16344

Neurologista em Fortaleza. CRM: 22274 | RQE: 16344. Formada pela UFC com residência no HGF.

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