Neuropatia diabética: quando o diabetes afeta seu sistema nervoso
A neuropatia é uma das complicações mais frequentes do diabetes. Aproximadamente metade dos pacientes com diabetes desenvolve algum grau de comprometimento nervoso ao longo dos anos. O diagnóstico precoce e o controle rigoroso da glicemia são fundamentais para evitar consequências graves.
Este artigo explica como o diabetes afeta os nervos, quais os sintomas de alerta e o que fazer.
Como o diabetes afeta os nervos
A glicose elevada no sangue por longos períodos danifica pequenos vasos que nutrem as fibras nervosas. Sem irrigação adequada, os nervos perdem função progressivamente. O processo é lento, ao longo de anos, e geralmente indolor no início, o que torna o diagnóstico precoce um desafio.
Quanto pior o controle da glicemia e quanto mais tempo de diabetes, maior o risco de neuropatia. Mas ela pode aparecer mesmo em pacientes com controle razoável, especialmente após muitos anos.
Principais formas de neuropatia diabética
Polineuropatia simétrica distal: a forma mais comum. Afeta pés e mãos de forma simétrica, começando pela ponta dos dedos e progredindo em direção ao tronco.
Neuropatia autonômica: afeta nervos que controlam funções involuntárias como frequência cardíaca, pressão arterial, digestão e função urinária.
Mononeuropatias: afetam um nervo isolado, causando por exemplo paralisia facial, dificuldade para movimentar o olho ou dor localizada.
Amiotrofia diabética: forma menos comum, causa dor intensa e fraqueza nas coxas.
Sintomas mais comuns
Formigamento persistente: sensação de agulhadas ou choques, especialmente nos pés.
Dormência: diminuição da sensibilidade nos pés, com risco de não perceber ferimentos.
Dor em queimação: que piora à noite e atrapalha o sono.
Sensação de andar em algodão: instabilidade ao caminhar, especialmente no escuro.
Alterações digestivas: queimação estomacal, sensação de estufamento após pouca comida, alteração intestinal.
Tonteira ao levantar: hipotensão postural por comprometimento autonômico.
Complicações a evitar
A principal complicação da neuropatia diabética é o chamado pé diabético. A perda de sensibilidade combinada com má circulação leva a feridas que não são percebidas nem cicatrizam bem, com risco de infecção grave e até amputação. Cuidado diário com os pés é essencial: inspeção visual, evitar andar descalço, cuidado com calçados e corte de unhas adequado.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico envolve avaliação clínica com testes específicos de sensibilidade, avaliação de reflexos e exames como eletroneuromiografia. O controle glicêmico é o pilar do tratamento: mantê-lo o mais próximo possível do ideal reduz a progressão da neuropatia.
Para os sintomas de dor neuropática, existem medicações específicas como antidepressivos tricíclicos, gabapentina, pregabalina e duloxetina. Analgésicos comuns não funcionam bem para esse tipo de dor. A escolha depende de outras condições do paciente e de tolerância aos efeitos colaterais.
Prevenção e acompanhamento
Todo paciente com diabetes deve ser avaliado periodicamente para neuropatia, mesmo que não tenha sintomas. Além do controle glicêmico, controle da pressão arterial, colesterol, atividade física regular e não fumar reduzem o risco. Quando os sintomas já existem, o tratamento neurológico especializado alivia significativamente o desconforto e melhora a qualidade de vida.

Dra. Tamires Macedo
CRM: 22274 | RQE: 16344
Neurologista em Fortaleza. CRM: 22274 | RQE: 16344. Formada pela UFC com residência no HGF.
