Insônia: quando o neurologista pode ajudar
A insônia é o distúrbio do sono mais comum na população, afetando cerca de 30 a 40% dos adultos em algum momento da vida. No Brasil, dados indicam que quase metade da população tem alguma queixa relacionada ao sono. Embora muitas vezes associada ao estresse do dia a dia, a insônia pode ter causas neurológicas que precisam de investigação especializada.
Neste artigo, você vai entender quando a insônia pode estar relacionada a condições neurológicas e por que a avaliação com um neurologista pode ser o passo que faltava para você voltar a dormir bem.
O que é insônia?
A insônia é caracterizada pela dificuldade em iniciar ou manter o sono, despertar precoce ou sensação de sono não reparador, apesar de condições adequadas para dormir. Para ser considerada clinicamente significativa, a insônia deve causar prejuízo funcional durante o dia, como cansaço, irritabilidade, dificuldade de concentração ou alterações de humor.
A insônia é classificada como aguda quando dura menos de três meses (geralmente associada a eventos estressantes) ou crônica quando persiste por três meses ou mais, com frequência de pelo menos três noites por semana.
Causas neurológicas da insônia
Diversas condições neurológicas podem causar ou agravar a insônia. Entre as mais frequentes estão:
Síndrome das pernas inquietas: essa condição causa uma necessidade irresistível de movimentar as pernas, geralmente acompanhada de sensações desconfortáveis que pioram ao repouso e no período noturno, dificultando o início do sono.
Distúrbio comportamental do sono REM: nessa condição, o paciente apresenta movimentos vigorosos ou vocalizações durante o sono, o que pode fragmentar o descanso noturno e ser um sinal precoce de doenças neurodegenerativas.
Doenças neurodegenerativas: condições como Alzheimer e Parkinson frequentemente cursam com alterações significativas no padrão de sono, incluindo insônia, sonolência diurna excessiva e inversão do ciclo sono-vigília.
Epilepsia: crises epilépticas noturnas podem fragmentar o sono sem que o paciente tenha consciência, levando a um sono não reparador e fadiga diurna.
Neuropatias: dores neuropáticas, formigamentos e sensações desconfortáveis nos membros podem dificultar o relaxamento necessário para adormecer.
Higiene do sono: o primeiro passo
Antes de qualquer tratamento medicamentoso, é essencial revisar os hábitos de sono. A higiene do sono consiste em um conjunto de práticas que favorecem um sono de qualidade:
• Mantenha horários regulares para dormir e acordar, inclusive nos finais de semana
• Evite telas (celular, tablet, TV) pelo menos uma hora antes de dormir
• Crie um ambiente propício ao sono: escuro, silencioso e com temperatura agradável
• Evite cafeína, álcool e refeições pesadas próximo ao horário de dormir
• Pratique atividade física regularmente, mas evite exercícios intensos no período noturno
• Reserve a cama apenas para dormir e para relações íntimas
Quando procurar um neurologista?
É recomendável procurar um neurologista quando a insônia persiste por mais de três meses apesar das medidas de higiene do sono, quando há suspeita de uma causa neurológica subjacente, ou quando a insônia é acompanhada de outros sintomas neurológicos, como movimentos involuntários, dores neuropáticas ou alterações cognitivas.
Na avaliação neurológica, além da história clínica detalhada, podem ser solicitados exames como polissonografia (estudo completo do sono em laboratório), actigrafia e exames de sangue para investigar causas tratáveis.
Tratamento da insônia
O tratamento depende da causa identificada. Para a insônia crônica primária, a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) é considerada o tratamento de primeira linha, com eficácia comprovada e resultados duradouros. Essa abordagem trabalha crenças e comportamentos que perpetuam a insônia.
Quando necessário, medicamentos podem ser utilizados, sempre com acompanhamento médico. O uso crônico de benzodiazepínicos para insônia deve ser evitado, pois pode levar a dependência e piora do quadro a longo prazo. Existem opções mais seguras e eficazes disponíveis atualmente.
Dormir bem é essencial para a saúde
O sono de qualidade é fundamental para a consolidação da memória, regulação do humor, funcionamento do sistema imunológico e saúde cardiovascular. Não normalize a insônia como parte da rotina moderna. Se você não está dormindo bem, procure ajuda. Com o diagnóstico e tratamento adequados, é possível recuperar noites de sono reparador.

Dra. Tamires Macedo
CRM: 22274 | RQE: 16344
Neurologista em Fortaleza. CRM: 22274 | RQE: 16344. Formada pela UFC com residência no HGF.
