Epilepsia em adultos: causas, tipos de crise e tratamento
Embora frequentemente associada à infância, a epilepsia pode surgir em qualquer fase da vida. Em adultos, as causas são diferentes das crianças e o tratamento precisa considerar profissão, condução de veículos e outras questões práticas.
Neste artigo, entenda como a epilepsia se manifesta no adulto e o que esperar do tratamento.
O que é epilepsia
A epilepsia é uma doença neurológica caracterizada pela tendência a apresentar crises epilépticas recorrentes, que resultam de atividade elétrica anormal em determinada área do cérebro. Ter uma única crise não significa ter epilepsia. O diagnóstico exige duas ou mais crises não provocadas ou uma crise única com alto risco de recorrência.
Causas em adultos
AVC prévio: principal causa de epilepsia após os 60 anos. A lesão cerebral do AVC pode gerar um foco epiléptico meses ou anos depois.
Traumatismo craniano: acidentes com lesão cerebral podem levar à epilepsia pós-traumática, às vezes anos após o evento.
Tumores cerebrais: podem se manifestar por crises epilépticas como primeiro sintoma.
Infecções do sistema nervoso: meningite e encefalite prévias podem deixar sequelas epileptogênicas.
Doenças neurodegenerativas: Alzheimer avançado e outras demências aumentam o risco de crises.
Causa desconhecida: em parcela significativa dos casos, não se identifica causa clara.
Principais tipos de crise
As crises epilépticas variam muito na apresentação. As principais categorias são:
Crise focal com percepção preservada: a pessoa mantém consciência mas pode ter movimentos involuntários de uma parte do corpo, alterações sensoriais estranhas, sensação de déjà vu ou medo súbito sem motivo.
Crise focal com percepção prejudicada: a pessoa fica com olhar fixo, aparentemente presente mas sem responder, podendo fazer movimentos automáticos como mastigar ou mexer as mãos. Não se recorda do episódio.
Crise tônico-clônica generalizada: a crise mais dramática, com perda de consciência, rigidez seguida de abalos rítmicos de todo o corpo. Pode haver mordedura da língua e liberação esfincteriana.
Diagnóstico
O diagnóstico começa com a história detalhada do episódio, preferencialmente com relato de testemunhas. O eletroencefalograma (EEG) pode mostrar alterações características, embora um EEG normal não descarta epilepsia. Ressonância magnética de crânio é essencial para investigar causas estruturais como tumores, sequelas de AVC ou malformações.
Tratamento
O tratamento principal são as medicações antiepilépticas, que controlam bem as crises em cerca de 70% dos pacientes. A escolha do medicamento considera tipo de crise, idade, outras doenças, gravidez e potencial de gestação, além de efeitos colaterais. Não é um tratamento de curto prazo: geralmente se mantém a medicação por vários anos.
Em casos resistentes ao tratamento medicamentoso, existem opções como cirurgia de epilepsia, estimulação do nervo vago e dieta cetogênica, sempre avaliados por equipes especializadas.
Vida com epilepsia
Com tratamento adequado, a maioria dos pacientes leva vida normal, mantém profissão e relacionamentos. Existem regulamentações específicas sobre condução de veículos em pacientes com epilepsia, que variam conforme o tempo sem crises. O acompanhamento neurológico regular é essencial para ajustes de medicação e monitoramento.

Dra. Tamires Macedo
CRM: 22274 | RQE: 16344
Neurologista em Fortaleza. CRM: 22274 | RQE: 16344. Formada pela UFC com residência no HGF.
