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Dra. Tamires Macedo - Neurologista
Cefaleia

Enxaqueca: causas, sintomas e tratamentos modernos

05 de fevereiro de 2026
4 min de leitura
Dra. Tamires Macedo

A enxaqueca é muito mais do que uma simples dor de cabeça. Trata-se de uma doença neurológica crônica que afeta cerca de 15% da população mundial, sendo duas a três vezes mais comum em mulheres. No Brasil, estima-se que mais de 30 milhões de pessoas convivam com crises de enxaqueca, muitas sem diagnóstico adequado.

Se você sofre com dores de cabeça intensas, pulsáteis e que atrapalham sua rotina, este artigo vai ajudá-lo a entender melhor a enxaqueca, seus gatilhos e as opções de tratamento disponíveis atualmente.

O que é a enxaqueca?

A enxaqueca é uma cefaleia primária, ou seja, a própria dor é a doença. Ela se caracteriza por crises recorrentes de dor de cabeça, geralmente unilateral (de um lado da cabeça), de caráter pulsátil e intensidade moderada a forte. As crises podem durar de 4 a 72 horas e costumam ser acompanhadas de náuseas, vômitos e hipersensibilidade à luz (fotofobia) e ao som (fonofobia).

A enxaqueca tem forte componente genético. Pessoas com histórico familiar de enxaqueca têm maior probabilidade de desenvolver a doença. Além disso, fatores hormonais explicam a maior prevalência em mulheres, especialmente durante a idade reprodutiva.

Enxaqueca com aura

Cerca de 25% dos pacientes com enxaqueca experimentam a chamada aura, que são sintomas neurológicos transitórios que antecedem ou acompanham a dor de cabeça. Os sintomas de aura mais comuns incluem alterações visuais, como pontos brilhantes, linhas em zigue-zague ou escotomas (manchas escuras no campo visual). Alguns pacientes também podem apresentar formigamento em um lado do rosto ou braço e, mais raramente, dificuldade para falar.

A aura geralmente dura de 5 a 60 minutos e se resolve completamente antes ou durante o início da dor de cabeça. É importante reconhecer esses sintomas para diferenciá-los de outras condições neurológicas mais graves, como o AVC.

Principais gatilhos da enxaqueca

Identificar os gatilhos é parte fundamental do tratamento da enxaqueca. Os fatores desencadeantes variam de pessoa para pessoa, mas alguns dos mais comuns incluem:

Estresse e ansiedade: o estresse emocional é o gatilho mais frequentemente relatado por pacientes com enxaqueca. Situações de tensão prolongada ou mudanças bruscas na rotina podem desencadear crises.

Alterações no sono: tanto a privação quanto o excesso de sono podem provocar crises. Manter horários regulares de sono é essencial para o controle da enxaqueca.

Fatores alimentares: jejum prolongado, consumo de bebidas alcoólicas (especialmente vinho tinto), cafeína em excesso e alimentos ricos em tiramina podem ser gatilhos em pacientes susceptíveis.

Fatores hormonais: flutuações nos níveis de estrogênio, especialmente no período menstrual, gravidez e menopausa, estão fortemente associadas à enxaqueca em mulheres.

Estímulos sensoriais: luz intensa, odores fortes e ambientes ruidosos podem desencadear ou agravar uma crise de enxaqueca.

Diagnóstico da enxaqueca

O diagnóstico da enxaqueca é essencialmente clínico, baseado no histórico detalhado das crises e no exame neurológico. Não existe um exame laboratorial ou de imagem que confirme a enxaqueca. No entanto, exames como ressonância magnética podem ser solicitados para excluir outras causas de dor de cabeça.

Um diário de dor de cabeça, no qual o paciente registra frequência, intensidade, duração, sintomas associados e possíveis gatilhos, é uma ferramenta extremamente útil para o diagnóstico e acompanhamento do tratamento.

Tratamentos modernos para enxaqueca

Tratamento das crises

O tratamento agudo visa aliviar a dor durante a crise. As opções incluem analgésicos simples, anti-inflamatórios não esteroidais e triptanos. A escolha do medicamento depende da intensidade da crise e do perfil do paciente. É fundamental evitar o uso excessivo de analgésicos, pois isso pode levar à cefaleia por uso excessivo de medicamentos.

Tratamento preventivo

Para pacientes com crises frequentes (mais de 4 por mês), o tratamento preventivo é indicado. As opções tradicionais incluem betabloqueadores, antidepressivos tricíclicos, anticonvulsivantes e bloqueadores dos canais de cálcio. A escolha é individualizada, considerando as comorbidades e preferências do paciente.

Anticorpos monoclonais anti-CGRP

Uma das maiores inovações no tratamento da enxaqueca são os anticorpos monoclonais que atuam na via do CGRP (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina), uma molécula-chave no processo da enxaqueca. Medicamentos como erenumabe, fremanezumabe e galcanezumabe são aplicados por injeção subcutânea mensal e têm demonstrado excelentes resultados na redução da frequência e intensidade das crises, com poucos efeitos colaterais.

Esses tratamentos representam uma nova era na abordagem da enxaqueca, especialmente para pacientes que não responderam aos tratamentos tradicionais.

Quando procurar um neurologista?

Se você apresenta crises frequentes de enxaqueca que impactam sua qualidade de vida, se os analgésicos não estão sendo suficientes ou se precisa tomar medicação para dor mais de duas vezes por semana, é hora de procurar um neurologista. O acompanhamento especializado permite um diagnóstico preciso e um plano de tratamento personalizado.

A enxaqueca tem tratamento e você não precisa conviver com a dor. Agende uma consulta e dê o primeiro passo para retomar o controle da sua qualidade de vida.

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Dra. Tamires Macedo

Dra. Tamires Macedo

CRM: 22274 | RQE: 16344

Neurologista em Fortaleza. CRM: 22274 | RQE: 16344. Formada pela UFC com residência no HGF.

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