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Dra. Tamires Macedo - Neurologista
Epilepsia

Convulsão: o que fazer e quando é emergência

18 de maio de 2026
3 min de leitura
Dra. Tamires Macedo

Presenciar alguém tendo uma convulsão é uma das situações mais assustadoras que uma pessoa pode enfrentar. A reação natural é querer ajudar, mas algumas ações comuns podem ser prejudiciais. Saber o que fazer e o que evitar pode fazer diferença significativa.

Este artigo é um guia prático de primeiros socorros para convulsões, útil tanto para familiares de pacientes com epilepsia quanto para qualquer pessoa que possa se deparar com essa situação.

Como reconhecer uma convulsão

A forma mais comum de convulsão que exige primeiros socorros é a crise tônico-clônica generalizada. Ela começa com perda súbita de consciência, rigidez de todo o corpo, seguida por movimentos rítmicos dos membros. A pessoa pode ficar arroxeada, ter salivação excessiva e, em alguns casos, morder a língua ou perder controle urinário.

O que fazer durante a crise

Mantenha a calma: a maioria das convulsões dura menos de 3 minutos e para sozinha.

Afaste objetos perigosos: cadeiras, mesas com pontas, objetos cortantes. Proteja a cabeça da pessoa com algo macio (uma roupa dobrada, por exemplo).

Vire a pessoa de lado: assim que possível, para evitar aspiração de saliva ou vômito. Essa é a posição lateral de segurança.

Afrouxe roupas: cinto, gravata, gola apertada, para facilitar a respiração.

Cronometre a crise: olhe o relógio quando começou. Se durar mais de 5 minutos, é emergência.

Fique ao lado até a recuperação: após a crise, a pessoa fica confusa e sonolenta por vários minutos. Explique com calma o que aconteceu.

O que NÃO fazer

Não coloque nada na boca: essa crença antiga é perigosa. A pessoa não vai engolir a língua. Colocar objetos na boca pode quebrar dentes e obstruir vias aéreas.

Não tente segurar os movimentos: tentar imobilizar a pessoa pode causar lesões musculares e ósseas. Deixe o corpo se mover livremente, apenas proteja o entorno.

Não ofereça água ou comida: durante e logo após a crise, o reflexo de deglutição está prejudicado. Risco de aspiração.

Não faça respiração boca a boca: a pessoa consegue respirar sozinha na maioria das vezes. Só faz sentido se, após a crise terminar, ela não voltar a respirar.

Quando é emergência

Ligue imediatamente para o serviço de emergência ou leve ao pronto socorro se:

A crise dura mais de 5 minutos: condição chamada estado de mal epiléptico. Grave, com risco de sequela neurológica.

Uma crise se segue à outra: sem recuperação completa da consciência entre elas.

É a primeira crise da vida: toda primeira crise merece investigação urgente.

Houve lesão durante a crise: trauma na cabeça, corte profundo, membro fraturado.

A pessoa está grávida ou tem diabetes descontrolado: situações que demandam avaliação imediata.

Não retomou a consciência normal: após 15-20 minutos do fim dos abalos.

Após a crise

Depois da fase de movimentos, é comum a pessoa passar por um período de confusão, sonolência e cansaço extremo. Isso pode durar horas. Se for a primeira crise, é essencial procurar um neurologista para investigar a causa. Se for um paciente já diagnosticado com epilepsia, avaliar se houve fator desencadeante como esquecimento de medicação, privação de sono ou álcool.

Vida com epilepsia

Pacientes com epilepsia bem controlada levam vida praticamente normal. Uso adequado da medicação, sono regular, evitar álcool em excesso e acompanhamento neurológico periódico são as bases do controle. Famílias devem estar orientadas sobre primeiros socorros, mas não precisam viver em estado de alerta constante.

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Dra. Tamires Macedo

Dra. Tamires Macedo

CRM: 22274 | RQE: 16344

Neurologista em Fortaleza. CRM: 22274 | RQE: 16344. Formada pela UFC com residência no HGF.

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