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Dra. Tamires Macedo - Neurologista
AVC

Trombose venosa cerebral: quando o problema está nas veias

19 de outubro de 2026
2 min de leitura
Dra. Tamires Macedo

A trombose venosa cerebral é uma condição menos comum que o AVC arterial clássico, mas com apresentação variada e diagnóstico frequentemente atrasado. Reconhecer o quadro precocemente é essencial para bom desfecho.

O que e

O sangue circula pelo cérebro em artérias (levando sangue oxigenado) e volta pelas veias (levando sangue desoxigenado). Quando um coágulo se forma nas veias ou seios venosos cerebrais, o retorno do sangue fica prejudicado, gerando aumento de pressão, inchaco cerebral e, em alguns casos, hemorragia.

Perfil dos pacientes

Diferente do AVC arterial, mais comum em idosos, a trombose venosa cerebral afeta principalmente adultos jovens, com predominio em mulheres. Fatores hormonais têm papel importante.

Fatores de risco

Anticoncepcionais orais: aumentam risco, especialmente combinados a outros fatores.

Gravidez e puerpério: estado protrombotico natural.

Trombofilias: hereditárias ou adquiridas.

Infecções locais: sinusite, otite, mastoidite.

Doenças autoimunes: lupus, síndrome antifosfolipide.

Cancer: estado protrombotico associado.

Desidratação severa: principalmente em ambientes muito quentes.

Traumatismo craniano: com ou sem fratura.

Sintomas

A apresentação e variável, o que dificulta diagnóstico:

Cefaleia: sintoma mais comum. Progressiva, persistente, refratária a analgésicos. Pode ser o único sintoma.

Crises epilépticas: primeiras crises da vida em adulto.

Déficit neurológico focal: fraqueza, alteração de fala, similar a AVC.

Alteração de consciência: em casos graves.

Papiledema: com alterações visuais por aumento da pressão intracraniana.

Diagnóstico

A ressonância magnética com estudo venoso (venografia por ressonância) é o exame de escolha. Tomografia com contraste em fase venosa também pode diagnosticar. D-dimero elevado sugere trombose, mas não substitui neuroimagem.

Tratamento

O tratamento principal é a anticoagulação, mesmo na presença de pequenas hemorragias cerebrais associadas. Duração varia de 3 a 12 meses, dependendo do fator desencadeante. Alguns pacientes precisam de anticoagulação permanente.

Trata-se causa subjacente (interrompe anticoncepcional, trata infecção, ajusta imunossupressão). Em casos graves com deterioração clínica, procedimentos endovasculares para dissolução do coágulo podem ser considerados.

Mensagem

Cefaleia intensa e persistente em mulher jovem, especialmente em uso de contraceptivo, gestante ou puerpera, merece investigação para trombose venosa cerebral. Diagnóstico precoce muda o desfecho.

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Dra. Tamires Macedo

Dra. Tamires Macedo

CRM: 22274 | RQE: 16344

Neurologista em Fortaleza. CRM: 22274 | RQE: 16344. Formada pela UFC com residência no HGF.

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