Nevralgia pós-herpética: dor persistente após o herpes zoster
O herpes zoster, popularmente conhecido como cobreiro, causa erupção dolorosa em faixa. Na maioria dos casos as lesões cicatrizam em algumas semanas. Em parcela dos pacientes, no entanto, a dor persiste por meses ou anos: é a nevralgia pós-herpética.
Como acontece
O vírus varicela-zoster (o mesmo da catapora) permanece adormecido em gânglios nervosos após a infecção inicial. Anos ou décadas depois, pode se reativar, seguindo o trajeto de um nervo específico, causando o herpes zoster. A inflamação do nervo pode deixar sequela: a nevralgia pós-herpética.
Quem têm mais risco
Idade avançada: risco aumenta significativamente após os 60 anos.
Herpes zoster com muitas lesões: surto extenso.
Dor intensa na fase aguda: preditor de cronicidade.
Herpes zoster oftálmico: envolvendo primeiro ramo do trigêmeo.
Imunossupressao: diabetes, quimioterapia, HIV.
Inicio tardio do antiviral: após 72 horas do rash.
Características da dor
Localização: no mesmo território onde ocorreu o rash, geralmente em faixa unilateral no tronco, face ou membro.
Qualidade variável: queimação continua, choques eletricos, agulhadas.
Alodinia: dor desencadeada por estimulos que normalmente não doeriam, como toque leve de roupa.
Alteração sensitiva: área com sensibilidade alterada, às vezes hipersensível, às vezes dormente.
Piora emocional: estresse, cansaço, mudança de tempo agravam.
Prevenção
A vacina contra herpes zoster é a estratégia mais eficaz. Recomendada para pessoas acima de 50 anos. Iniciar antiviral (aciclovir, valaciclovir) nas primeiras 72 horas do rash reduz risco de nevralgia pós-herpética.
Tratamento
O tratamento da nevralgia pós-herpética exige abordagem em múltiplas frentes:
Medicações de ação central: gabapentina, pregabalina, antidepressivos tricíclicos (amitriptilina), duloxetina.
Tratamento topico: adesivos de lidocaina, capsaicina em creme.
Analgésicos: às vezes necessários, mas a resposta a analgésicos comuns é limitada.
Opioides: em casos selecionados e sob controle rigoroso.
Intervenções: bloqueios de nervo, estimulação de nervo periférico em casos refratários.
Tratar cedo, na fase aguda ou nas primeiras semanas da dor persistente, têm melhor resposta que tratar dor crônica já estabelecida.
Mensagem
Se você teve herpes zoster e continua com dor no local semanas depois, procure avaliação neurológica. Existe tratamento eficaz e quanto antes iniciado, melhor o desfecho.

Dra. Tamires Macedo
CRM: 22274 | RQE: 16344
Neurologista em Fortaleza. CRM: 22274 | RQE: 16344. Formada pela UFC com residência no HGF.

