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Dra. Tamires Macedo - Neurologista
Cefaleia

Enxaqueca hormonal: quando a menstruação desencadeia a dor

21 de setembro de 2026
2 min de leitura
Dra. Tamires Macedo

A enxaqueca e cerca de três vezes mais comum em mulheres, e boa parte dessa diferença se explica pela influência dos hormônios femininos, especialmente o estrogênio. Muitas mulheres identificam claramente que suas crises estão ligadas ao ciclo menstrual.

O que e enxaqueca menstrual

É definida como a enxaqueca que ocorre em um período específico ao redor da menstruação: geralmente entre dois dias antes e três dias após o início do sangramento. Pode ser pura (só nesse período) ou relacionada (nesse período, mas também em outras fases do ciclo).

Por que os hormônios influenciam

A queda abrupta dos níveis de estrogênio no final do ciclo menstrual é o principal gatilho. O estrogênio modula neurotransmissores envolvidos na dor. Sua redução súbita gera excitabilidade neural que facilita a crise.

Isso explica outros fenômenos: melhora da enxaqueca durante gravidez (níveis estáveis e altos de estrogênio), piora no puerpério e no climatério (grandes flutuações hormonais).

Características da enxaqueca menstrual

As crises tendem a ser mais intensas, mais longas e menos responsivas aos tratamentos habituais. Muitas mulheres relatam náusea e vômitos mais frequentes nessas crises.

Estratégias de tratamento

Tratamento agudo mais robusto: triptanos combinados com anti-inflamatório na crise.

Mini-profilaxia: uso de medicação (anti-inflamatório ou triptano de ação longa) por cinco a sete dias ao redor do período menstrual, mesmo antes da dor começar.

Estabilização hormonal: em alguns casos, ajuste do contraceptivo para evitar flutuações bruscas de estrogênio.

Tratamento preventivo continuo: quando as crises são muito frequentes ou incapacitantes.

Manejo de gatilhos não hormonais: sono, alimentação, hidratação, estresse também contribuem.

Cuidados com contracepção

Mulheres com enxaqueca com aura devem evitar contraceptivos orais com estrogênio, pelo risco cardiovascular aumentado. Opções como progesterona isolada, DIU hormonal ou métodos não hormonais podem ser preferidas. A escolha e individualizada, envolvendo ginecologista e neurologista.

Perimenopausa e menopausa

A perimenopausa e período desafiador: flutuações hormonais podem piorar significativamente a enxaqueca. Após a menopausa (com estabilização hormonal), muitas mulheres apresentam melhora importante das crises.

Mensagem

Se você identifica padrão menstrual das suas crises, e possível montar estratégia específica que reduza intensidade e frequência. O tratamento personalizado da enxaqueca hormonal transforma a qualidade de vida ao longo do ciclo.

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Dra. Tamires Macedo

Dra. Tamires Macedo

CRM: 22274 | RQE: 16344

Neurologista em Fortaleza. CRM: 22274 | RQE: 16344. Formada pela UFC com residência no HGF.

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