Delirium em idosos: a confusão aguda que exige atenção
Muitas famílias observam que idosos internados por outras condições desenvolvem, de forma súbita, confusão mental, agitação ou sonolência intensa. Esse quadro têm nome: delirium, uma síndrome frequente e potencialmente grave.
O que e delirium
Delirium é uma alteração aguda do estado mental caracterizada por confusão, atenção prejudicada, alteração da consciência e distúrbios de percepção, tudo com início em horas ou poucos dias. Diferente da demência, que se instala em meses a anos, o delirium tem início agudo e curso flutuante.
Tipos de delirium
Hiperativo: paciente agitado, alucinado, com fala confusa. E o mais reconhecido.
Hipoativo: paciente sonolento, quieto, pouco responsivo. Frequentemente subdiagnosticado, atribuido a cansaço ou depressão.
Misto: alternância entre os dois padroes ao longo do dia.
Fatores predisponentes
Idade avançada: acima de 65 anos, especialmente em fragilidade.
Comprometimento cognitivo previo: demência ou declínio cognitivo leve.
Multiplas comorbidades: insuficiências orgânicas, doenças crônicas.
Polifarmácia: uso de múltiplas medicações, especialmente benzodiazepínicos e anticolinérgicos.
Déficit sensorial: audição e visão reduzidas.
Causas desencadeantes
Infecções: urinaria, respiratória, quadro septico.
Distúrbios metabólicos: hiponatremia, hipoglicemia, uremia, alterações hepáticas.
Medicações: opioides, benzodiazepínicos, corticoides, anticolinérgicos.
Pos-operatório: cirurgias, principalmente ortopedicas e cardíacas.
AVC ou hemorragias: sempre considerar.
Constipação ou retenção urinaria: causas frequentemente esquecidas.
Mudanca de ambiente: internação, UTI.
Por que importa
Delirium associa-se a maior mortalidade, maior tempo de internação, maior risco de perda funcional após alta e aceleração de declínio cognitivo. Em pacientes com demência inicial, um episódio de delirium pode desmascarar e piorar o quadro.
Prevenção e tratamento
A base do manejo é prevenir e tratar as causas. Prevenção envolve: mobilização precoce durante internações, hidratação adequada, controle da dor, minimizar medicações de risco, manter orientação (relógios, calendários visíveis, presença familiar), higiene do sono.
Uma vez instalado, buscar e tratar causa reversível. Medicações sedativas devem ser usadas com muito criterio, apenas em agitação com risco. Em geral, ambiente calmo, família presente e reorientação verbal ajudam mais que sedação.
Mensagem
Se um idoso na sua família apresenta confusão mental aguda, mesmo que atribuível a outra doença, avise a equipe. Reconhecer e tratar delirium precocemente evita complicações maiores.

Dra. Tamires Macedo
CRM: 22274 | RQE: 16344
Neurologista em Fortaleza. CRM: 22274 | RQE: 16344. Formada pela UFC com residência no HGF.

