Paralisia de Bell: quando um lado do rosto para
Acordar com um lado do rosto paralisado gera susto imediato. A primeira pensamento e AVC. Na maioria dàs vezes, no entanto, trata-se de paralisia de Bell, condição com evolução geralmente favorável.
O que e paralisia de Bell
É a paralisia do nervo facial em seu trajeto periférico, causando fraqueza de todos os músculos de um lado da face. Diferente do AVC, que geralmente poupa a testa (porque a inervação dessa região vem dos dois hemisférios cerebrais), na paralisia de Bell o paciente não consegue elevar a sobrancelha nem fechar bem o olho do lado afetado.
Sintomas característicos
Fraqueza súbita: de todos os músculos de um lado do rosto.
Dificuldade para fechar o olho: com sensação de olho seco ou lacrimejamento excessivo.
Desvio da boca: para o lado não paralisado ao sorrir ou falar.
Alteração do paladar: nos dois tercos anteriores da língua do lado afetado.
Hiperacusia: sons mais altos do que o habitual no ouvido do lado afetado.
Dor atras da orelha: geralmente nas horas ou dias antes da paralisia.
Causa
A causa não é totalmente esclarecida, mas envolve inflamação do nervo facial, provavelmente por reativação de vírus (herpes simples e outros). Fatores como estresse, gravidez, diabetes descontrolado e imunossupressão aumentam risco.
Diagnóstico diferencial
Antes de firmar diagnóstico, é importante descartar outras causas de paralisia facial:
AVC: geralmente poupa a testa, sem alteração de paladar ou hiperacusia.
Síndrome de Ramsay Hunt: paralisia facial com vesiculas no ouvido, causada por herpes zoster.
Tumores: principalmente da região do ângulo pontocerebelar.
Doença de Lyme: menos comum no Brasil.
Sarcoidose e outras doenças autoimunes: podem causar paralisia facial.
Tratamento
Corticoide oral (prednisona) em curso curto de 7 a 10 dias, iniciado nas primeiras 72 horas, aumenta significativamente a chance de recuperação completa. Em casos graves, associação com antiviral (aciclovir ou valaciclovir) pode ser considerada.
Cuidados com o olho são essenciais: lubrificação com colírio durante o dia, pomada e oclusão à noite para evitar úlcera de córnea. Fisioterapia facial ajuda a manter tônus muscular e prevenir contraturas durante a recuperação.
Prognóstico
Cerca de 70% dos pacientes recuperam completamente em até 6 meses. Outros 15% ficam com sequelas leves. Uma minoria pode ter sequelas mais significativas, com movimentos involuntários (sincinesias) e assimetria persistente.
Iniciar tratamento precoce é o fator sob nosso controle mais importante. Ao notar sintomas, procure avaliação no mesmo dia.

Dra. Tamires Macedo
CRM: 22274 | RQE: 16344
Neurologista em Fortaleza. CRM: 22274 | RQE: 16344. Formada pela UFC com residência no HGF.

